papo normal com a val

é sobre a galera. é assim quase sempre no ap dela. os outros, a gente sentando aqui e os outros e tal. ela me contava toda a história de como a larissa e o lucas, o casal que não se admitia casal ainda, estavam transando com a liana. eles metem essa agora. drogados, universitários, abertos. sei lá. faz alguns meses que os dois saem juntos e eu sempre encho o saco deles: juntinhos, awn que lindos, fofos. como vai o teu querido, larissa? certo que eles ficam desconfortáveis com esse tipo de coisa. chamar de casal parece um lance meio demodê, tá over já. mas é que eu acho que eles combinam. de verdade. brancos e muito tranquilos. querem viajar juntos. a larissa dirige o carro da mãe dela, e busca o lucas de vez em quando. empoderada dos motores, diria a val.

- tu não viu quando eles saíram juntos na última noite aqui em casa?

não vi. naquele dia eu fiquei incomodado demais com o gui se entrosando com um cara aleatório da festa. sentei perto deles mas queria mesmo era sumir. os outros são uma bosta - aquela noite foi um lixo pra mim. um lixo de me fazer ignorar o novo tri-casal do grupo. pelo que a val me contava, sempre que a liana aparecia no rolê eles se aproveitavam juntos. liana e lucas e larissa: todos nomes com l. lixo? senti raiva, mas até que eles combinavam. repeti os nomes na minha cabeça. imaginei os três juntos. pelados. rindo juntos. combinavam e me incomodavam.


- é isso.


é isso? repeti baixinho. daí ela me disse que o lucas tá muito ferrado nessa história. imagina. duas minas muito feministas. se ele escorregar ali, já eras. se ele fizer qualquer coisinha, bá. mas o lucas é bem desconstruidão. ok, ele não vai se ferrar se pá. a val gosta dele. me disse que não imaginava que sentiria atração por ele no começo do curso: um cara e ela bem lésbica. mas o lucas é isso: ele não vai cagar com elas. esses dias, mais notícias, um chá de frutas vermelhas entre a gente, a liana e a larissa na cama enquanto o lucas foi postar um trabalho no moodle. universitáros, drogados, abertos. a larissa levou a liana de carro pra casa depois, e ele ficou sozinho no pc. 

- guria, é isso. mas como eles conseguem ser tão serenos? 

a val não ouviu a pergunta. me senti ofendido. se naquela noite o tri-casal fosse composto por mim, o gui e o cara aleatório com quem ele conversava... bá, nem sei. eu me mataria? ok, não é pra tanto. tá certo que eu já bati algumas pensando no gui com esse cara e eu mas. e era bem gostoso na minha cabeça. o gui embaixo, chupando meu pau, eu e o cara se beijando e usando ele. o gui embaixo. mas bá. e se no meio do lance eu fico com ciúmes? e se eu desanimo? o gui me ajudaria? falei pra val que isso era uma questão pra mim. ela não ouviu essas perguntas e olhou pela janela. não pega muita luz no ap dela. e isso não era uma questão pra val, sentada.

- é isso, né. 

e tomou mais um gole. ela tem 28 plantas em casa. vinte anos, 28 plantas saudáveis apesar da pouca luz. não dá pra dizer que não rola uma inveja da minha parte. eu quis dizer isso pra ela nessa hora mas o gui já tava vindo me buscar. serena dos amores em porto alegre e com um empoderamento plantil. pois é, não daria tempo. a val estava muito sentada, letrada, calma. eu e o gui, a gente vem conversando sobre abrir a relação e tal. aparentemente, não é uma questão pro gui também. ele tá tranquilaço. falei disso com ela. o gui me falou que quando era criança ficava com uma menina que ficava com outros meninos e que isso deixou ele bem de boas com a situação. a val: é isso, é bem assim que os jovens tão hoje em dia. vontade de derrubar o chá dela. 

- o gui tá aqui embaixo, guria. abre pra mim?
data de postagem desse texto: 17 de dezembro de 2017
última modificação feita nele: 17 de dezembro de 2017

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Sobre o Autor

Gosta de línguas, reflexões introspectivas, UTAU/Vocaloid, discussões sobre gênero e sexualidade, do céu e de fazer da vida alheia um bordado de renda (de chita filó).