Sobre Seapunk e Vaporwave

Ah, nada como a estética.



Ultimamente, diversas correntes estéticas novas tem surgido no universo virtual, especialmente em plataformas de blogging e reblogging como o tumblr e o pinterest. Nestes locais, vemos indivíduos dedicados ao culto de normas novas que prescrevem desde o leiaute de sites ao conteúdo e o linguajar destes. Também chama-se tais estéticas de "culturas", "microculturas" ou "subculturas", como é o caso do seapunk e do vaporwave.
Um blogue seapunk/vaporwave
Estas ciberculturas se manifestam basicamente em blogues de pessoas como eu e você. Há um entusiasmo na internet em seguir tais estéticas. É como se sentíssemos a necessidade de nos situar dentro do mundo virtual, de achar a nossa panelinha. Estabelecemos nossa identidade cibernética ao produzir conteúdo (ou reproduzir, como no caso dos reblogs) de acordo com a estética escolhida. O entusiasmo em relação a essas correntes é tanto que a influência delas ultrapassa muitas vezes os limites do virtual e encontra espaço em outras manifestações do mundo real, como a moda e a música.

O vídeo abaixo é da rapper Azealia Banks e se alinha perfeitamente às regras "seapunkenses". Wordart, imagens que simulam o uso de narcóticos, fascínio pelo mar, saudades dos anos 90 e outras coisas mais que nos lembram dos coloridíssimos geocities estão presentes. E a música é legalzinha.




Seapunk segundo a Vogue


A Vogue já publicou um ensaio fotográfico apenas com visuais inspirados na estética seapunk. Segundo as definições lá propostas, o visual seapunk deve conter elementos futuristas de sci-fi.
 
Mas não basta ser sci-fi (afinal, Arnold Schwarzenegger não é seapunk), tem que que ser sci-fi futurista do ponto de vista pré anos 2000 - fazendo a linha De volta para o futuro, digamos.

Além do mais, ainda tem-se que demonstrar uma estreita ligação com o mar, com culturas orientais e com o plástico brilhante típico de qualquer produto dos anos 90.

Cabelos verdes azulados (ou azuis esverdeados?); símbolos, estampas, acessórios e enfeites indianos; golfinhos, formas geométricas e pixeis são exemplos simples de como alcançar isso.



A celebração dos anos 90 também é um ponto comum do que tem sido chamado de vaporwave. Parece-me que nesta cultura o importante é retratar os suplícios cotidianos (sobretudo os de ordem sentimental ou existencial) de jovens urbanos. Para representar os dramas dessa classe de jovens, os artistas vaporwave gostam de criar falsas capturas de tela do windows 98 e 96, fazendo com que as imagens remontem a época em que a internet e os jogos eletrônicos eram novidade. Isso gera uma nostalgia interessante que todo admirador do vapor valoriza.

O uso de caracteres de alfabetos não-latinos também é recorrente, particularmente os japoneses. Isso tem muito a ver com, novamente, com os anos 90 - dessa vez por causa do advento da tecnologia  (especialmente jogos de SNES) no ocidente. Os entusiastas vaporwave gostam dessa época, que lhes é terna na memória (pelos motivos nostálgicos citados antes), e se reportam a ela frequentemente em seus conteúdos. A capa do álbum da banda Macintosh Plus sumariza a estética "vaporwana" de forma simples: caracteres não-latinos, reambientação de clássicos, pixeis, anos 80/90 etc.

Capa do álbum floral shape, da banda Macintosh Plus
Apesar das duas correntes terem suas especificidades e serem definitivamente distintas, há momentos em que as duas se confundem e são misturadas em conteúdos ou em blogs. O resultado é quase sempre uma mensagem que resume alguma atitude amorosa ou existencial de algum yuppie com referência nostálgicas, estátuas greco-romanas e, é claro, o mar.
Difícil dizer onde começa o seapunk e onde termina o vaporwave
Se você leu até aqui: muito obrigado! Espero que com esse post você possa ingressar no mundo virtual de forma tranquila e suave, encontrando a sua tribo cibernética. Vou deixar aqui uma galeria de conteúdos de pixel art (a parte mais legal do vaporwave) que mais gostei. Bom existir e até mais.



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Desculpem-me pelo post estranho, sinto que ele desandou da metade para o final. É o final do semestre e ando um tanto ocupado, está tudo um pouco estranho na minha cabeça. Também tenho enfrentado alguns problemas de ordem AMOROSA OMG O VAPORWAVE SERVE PRA MIM e tudo o mais. 

Au revoir~

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Sobre o Autor

Gosta de línguas, reflexões introspectivas, UTAU/Vocaloid, discussões sobre gênero e sexualidade, do céu e de fazer da vida alheia um bordado de renda (de chita filó).